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Justiça Federal gaúcha adere ao movimento Setembro Amarelo

5 de setembro de 2017

A Justiça Federal do RS (JFRS) aderiu ao movimento Setembro Amarelo, voltado à prevenção do suicídio. Ao longo do mês, serão realizadas iniciativas que têm como objetivo trazer à tona a questão da saúde mental, chamando atenção para possíveis sinais de alerta.

No dia 15/9, ocorrerá a palestra “Conversando sobre: a individualização do sofrimento no trabalho”, com o professor Henrique Caetano Nardi, médico e Doutor em Sociologia pela UFRGS. Na mesma semana, inicia a nova programação do Memorial da JFRS, que tratará do tema “saúde”.

Intitulado “Direitos Humanos e Direito à Saúde: a trajetória da Justiça Federal em demandas por assistência farmacológica e procedimentos no SUS”, o evento inicia em 13/9 e contará com mostra de processos históricos e exposições artísticas, entre outros. Peças produzidas pela Secretaria de Saúde e a Seção de Conteúdo Institucional do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre o consumo de álcool e outras drogas também serão distribuídas. O material incentiva a reflexão sobre o uso de substâncias lícitas e ilícitas e sua relação com

Para iniciar o debate sobre saúde mental, sua relação com o consumo de álcool e drogas e o suicídio, o psiquiatra Daniel Chaves Vieira, que atua na Seção Médica e Odontológica do Núcleo de Acompanhamento e Desenvolvimento Humano da JFRS foi entrevistado.

– Há estudos que apontem alguma relação entre suicídio e o uso drogas lícitas e ilícitas?

Há vários estudos sobre os fatores de risco para suicídio. Entre eles, o principal é a existência de uma tentativa prévia, o que desmistifica a crença popular de que quem tenta não tem realmente essa intenção.

O segundo fator de risco é ter um diagnóstico psiquiátrico não tratado adequadamente. Dentre os diagnósticos, os transtornos de humor, como depressão e bipolaridade, são os quadros mais prevalentes associados ao suicídio. Logo na sequência vêm problemas relacionados ao uso de álcool e drogas.

– Como saber se o consumo caracteriza dependência?

É preciso entender que a substância tem um escalonamento de possíveis problemas relacionados a seu uso. Temos uma pessoa que faz um uso ocasional; outra que faz um uso nocivo e que poder ser muito grave, mesmo que não tenha dependência. Por exemplo, alguém que só bebe uma vez por mês, mas quando o faz, passa mal ou dirige alcoolizado, se envolve em confusão. Então, não é só um padrão de freqüência que vai ser importante, mas o padrão de gerar prejuízos a si ou a outros.

Pensando na dependência, o padrão de uso crescente, quando a pessoa desenvolve tolerância e ingere doses cada vez maiores, é um sinal de alerta.

– Como ajudar alguém próximo que esteja se colocando em risco ou colocando outros em risco pelo consumo de substâncias lícitas ou ilícitas?

No caso das dependências, vemos que normalmente são histórias construídas ao longo de meses, anos, em que o padrão de uso se torna cada vez mais nocivo. É fundamental, muito mais do que em outros quadros, que alguém próximo possa ajudar a dar uma guinada e trazer para a questão de saúde.

Dependendo do vínculo, a pessoa pode comentar sobre sua preocupação. É importante, entretanto, que a abordagem não ocorra no momento em que a pessoa esteja sob efeito da substância, mas que se aguarde o momento adequado da conversa, que se busque perceber uma abertura da própria pessoa, sinalizando um pedido de ajuda.

– A adição a substâncias nocivas para a saúde é tratada como doença atualmente. Essa doença está associada a outros tipos de enfermidades?

Em muitos casos, a dificuldade que uma pessoa tem para deixar de fazer uso de uma substância nociva tem a ver com a falta de um diagnóstico adequado. Às vezes, a pessoa vem com dificuldade para parar de fumar, e acabo vendo que ela tem um quadro de ansiedade basal. Não é que ela tivesse uma dependência tão grave, mas ela tinha um transtorno de ansiedade não tratado. Então, tratamos a ansiedade, e se torna mais tolerável parar com o uso da nicotina.

O álcool é um depressor do sistema nervoso central. Muitas vezes, ele entra como uma “automedicação”, para ajudar a controlar alguns sintomas. Assim, tratamento desse quadro é que proporcionará um melhor resultado em relação ao uso da substância.

– A adoção de determinados hábitos (como praticar esportes, ter um hobby, sair de casa, viajar…) pode ajudar na saúde emocional?

Um estilo de vida saudável é sempre bem-vindo em qualquer época da vida, não só para evitar ou manejar algumas situações, mas como prevenção. Sabemos que a atividade física aeróbica, além de diminuir problemas cardiovasculares, auxilia no combate ao câncer e até do Alzheimer, acelera e melhora a resposta antidepressiva e diminui a ansiedade.

A ajuda profissional também é bem-vinda. Muitas vezes, vemos que há um estigma, uma negação. A pessoa está depressiva, está mal, e os que estão à sua volta não compreendem que há um sofrimento e que não é uma questão apenas de vontade. Nesses casos, é preciso uma ajuda profissional, e um estilo de vida saudável ajuda na prevenção, na recuperação e na manutenção desse bem-estar emocional.

Em relação ao suicídio, os números são bem significativos. Estudos nacionais, por exemplo, regularam que, ao longo da vida, pelo menos 17% das pessoas tiveram ideação suicida em algum momento da vida, 5% tiveram uma tentativa. Isso ficava muito escondido. Precisamos falar sobre isso de uma forma adequada. Precisamos falar sobre a saúde emocional para melhorar a qualidade de vida de todo mundo.

 

 

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