Música e tradição marcam inauguração do Espaço Memória na Justiça Federal em Santo Ângelo (RS)

22 de março de 2018

A execução do hino rio-grandense em violino e acordeão e a apresentação do Coral da Aldeia Indígena Tekoá Pyau marcaram a solenidade de inauguração do Espaço Memória da Subseção Judiciária de Santo Ângelo, realizada na tarde de ontem (21/3). Além de conferirem um tom de informalidade ao evento, a mostra de música e tradição missioneiras representaram parte importante do que se pretende preservar e compartilhar no novo local.

Em primeiro plano, ao redor de uma placa preta com borda de madeira, estão um home (à esquerda) e duas mulheres (à direita). Todos estão bem vestidos e alegres. Ao fundo, há outras pessoas em pé.

Prefeito Jacques Barbosa (E) uniu-se às magistradas para descerrar a placa comemorativa

Na abertura da cerimônia, a diretora do Foro da subseção, juíza Federal Iracema Longhi, anunciou os temas abordados na exposição “Traçados da Justiça Federal na Capital das Missões”, também inaugurada nesta terça-feira. “O primeiro painel apresenta a música ganhadora do 10º Canto Missioneiro da Música Nativa de 2016”, comentou. “A bela canção fala da origem missioneira, da cultura e da população guaranis, do passado preservado das missões jesuíticas, da produção agrícola e do cotidiano e tradições da cidade”, listou, remetendo, ainda, a outros assuntos retratados na mostra.

Mulher jovem, de cabelos longos, bem vestida, fala ao microfone.

Iracema valorizou a rica tradição da região missioneira

Iracema também discorreu sobre a função da Justiça Federal e, de forma mais ampla, do servir ao que é público. “Por termos, de um lado, o Poder Público, enquanto prestador de serviços e garantidor dos direitos fundamentais; e, do outro, o cidadão, destinatário dessa proteção, nos incumbe a garantia da efetividade desses direitos”, comentou. Ela concluiu convidando a todos a deixarem de lado as diferenças e se unirem “em defesa desse patrimônio e dessa atividade que praticamos, que é, ao fim e cabo, de propridade do povo, e somente por este fim justifica a sua existência”.

Já o prefeito Jacques Barbosa elogiou a iniciativa da instituição. Ele destacou o vasto patrimônio histórico e cultural encontrado na região, valorizando seu papel no desenvolvimento do país.

Ao encerrar a solenidade, a diretora do Foro da Seção Judiciária do RS, juíza federal Daniela Tocchetto Cavalheiro comentou sentir-se honrada em participar do momento solene. “Sobre esta terra, que ainda tem como donos os valorosos guaranis, repousa um tesouro na forma de registro histórico. Desde os tempos em que somente índios transitavam por essas matas, passando pelas missões jesuíticas, mais tarde pelos movimentos revolucionários e sociais, a história chega até os dias atuais”, narrou. “Sendo assim, nada mais justo do que retratarmos esta história, que aflora no sangue dos Missioneiros como a água da Fonte brota do solo, em um espaço destinado à preservação da nossa memória”, concluiu.

Mulher jovem, de olhar sereno, gesticula enquanto fala ao microfone

Daniela chamou atenção para relevância de ações de preservação da memória

Homenagens e apresentações

A cerimônia contou, ainda, com uma homenagem ao desembargador federal aposentado e ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Nylson Paim de Abreu, presente na ocasião. Durante dois anos e meio, o magistrado acumulou jurisdições em varas federais de Passo Fundo e Santo Ângelo, demonstrando grande dedicação ao trabalho. Antes da visitação oficial à exposição, também aconteceram apresentações musicais de dois servidores da Justiça Federal em Santo Ângelo e de um grupo de guaranis. O cacique Arnildo Moreira aproveitou a oportunidade para propor uma maior integração entre índios e não índios.

Grupo de cinco índios, na maior parte crianças, perfilados lado a lado, vestidos em roupas brancas. O mais alto deles segura um violão.

Coral é formado por índios de aldeia situada na colônia Buriti

 

No saguão do prédio, há um adesivo no chão que conduz até o elevador.Tanto à esquerda quanto à direita do adesivo, há totens de madeira perfilados com imagens e textos sobre processos históricos.

Exposição está aberta ao público diariamente, das 13h às 18h

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