Futurismo

JFRS inicia capacitação em inovação com aula sobre pensar o futuro

14 de abril de 2021 - 19:02
Tela de transmissão de evento em que aparece a imagem da apresentação do palestrante com o texto o futuro é uma escolha, não um desejo. o futuro pede concessões. acima desta imagem, aparece imagens de diversos participantes da palestra
Aula máster ocorreu de forma online

A Justiça Federal do RS (JFRS) iniciou ontem (13/4) o Programa de Capacitação em Inovação com uma aula máster sobre futurismo e como isso pode ajudar a antecipar os resultados das mudanças que estão acontecendo no tempo presente. Em formato online, o programa está dividido em duas etapas, compostas por três aulas e quatro seminários, onde os participantes poderão refletir e propor soluções para problemas relacionados a cinco temas. Além disso, ainda aprenderão a utilizar, na prática, as chamadas “metodologias ágeis” e ferramentas como design thinking.

Na abertura, o diretor do Foro da SJRS, juiz federal Paulo Paim da Silva, destacou que é preciso aceitar o desafio de refletir sobre o futuro. Ele lembrou que, após as três aulas, terá a formação de grupos “que vão ajudar a pensar e reestruturar a Justiça. Nós sabemos que os recursos humanos são finitos e, cada vez mais, temos dificuldades de aumentar o quadro de servidores. Temos que aprender a fazer mais com menos”.

Futurismo

Intitulada “Future Thinking e mundo pós-covid”, a aula máster foi conduzida por Fabrício Astua, que é diretor global de inovação na MJV, possui mais de 10 anos de experiência em design thinking, design estratégico e abordagens focadas no ser humano e trabalha desenvolvendo negócios, implementação de estratégias, entrega técnica e gestão operacional.

Ele comentou que o futurismo já vem sendo falado enquanto área de conhecimento há mais de 70 anos. “Há diversos centros nos Estados Unidos e Europa que são dedicados a isso. A própria Unesco possui uma área que vem promovendo o letramento em futuros para o futuro da humanidade”.

Segundo ele, futuristas não predizem o futuro, já que ele ainda não aconteceu. “Não podemos dizer nada certo sobre o futuro. Mas, o que podemos é pesquisar e descobrir como o futuro está nascendo. A partir disso, quais as possibilidades que se abrem”. Este conhecimento pode ajudar organizações privadas ou públicas a descobrir a mudança que está por vir e se ela será motivo de preocupação daqui alguns anos. “Procurar indícios de futuro no hoje, para agir depois”.

De acordo com Astua, o “futurista ajuda a influenciar ativamente esse futuro projetando estratégias de longo prazo, táticas de curto prazo, políticas públicas, novos produtos e serviços, novos modelos de negócios e, talvez, rearranjos organizacionais”.

tela de transmissão de evento com imagem da apresentação do palestrantes com o texto como pensar sobre o futuro

Para pensar nos cenários futuros, é preciso, primeiramente, entender o tempo presente. Por isso, Fabrício Astuta falou sobre as transformações que modificam a configuração da sociedade atual. Segundo ele, no mundo pós-normal, prevalece a confluência de complexidade, caos e contradição. “Uma época em que a aceleração das mudanças é absurda e a extrema novidade é que produz valores radicalmente novos”.

Ele pontuou que “futuros impensados estão acontecendo com mais frequência com as mudanças climáticas, o desenvolvimento tecnológico profundamente perturbador, com pandemias. Portanto, esses tempos pós-normais não podem ser controlados. Eles podem ser navegados com imaginação. A imaginação informada sobre os futuros para que possamos desenvolver melhores perguntas, descobrir mudanças, e usar essa incerteza e ignorância a nosso favor”.

Astua ressaltou que todo mundo pensa no futuro, mas faz de forma pouco organizada. “Existem ferramentas, conceitos e regras, relativamente, simples que podemos utilizar para pensar o futuro de maneira estruturada e útil”. Segundo ele, o primeiro passo para agir como futurista é entender que há três forças que moldam o futuro, que ele denomina de atração do futuro, empurrão do presente e o peso do passado.

O segundo é movimento é compreender que o futuro é uma mudança. Algumas mudanças acontecem de tempos em tempos. Outras demoram tanto para acontecer que parecem imutáveis e há aquelas bruscas de direção, valor, ambiente ou mercado.

“Para pensar como futurista, precisa levar em conta a complexidade do mundo, precisa olhar para diferentes áreas e encontrar exemplos diferentes de mudança, usar várias lentes para analisar essas mudanças”, destacou.

Astua também pontuou que os futuristas estão atentos as perturbações e que há um tipo que eles gostam bastante, os chamados sinais fracos. “São pequenas amostras de futuro. São muitos pequenos tanto em tamanho quanto em escala, mas tem alto potencial de perturbação. Sinais fracos desafiam como a gente entende o mundo, as nossas suposições e as nossas expectativas. Eles abrem novos caminhos para o futuro”.

Tela de transmissão do evento com imagem da apresentação do palestante

De acordo com ele, quando se começa a combinar forças, formas, áreas de estudos e sinais, pode se começar a projetar os cenários alternativos de futuro. “Mas o que são cenários? São estórias consistentes e plausíveis sobre o futuro baseados em evidências que coletamos no presente”.

Ele explicou que os cenários são usados para dar sentido ao futuro, mas não têm o objetivo de ser uma descrição precisa dele. Existem quatro cenários: crescimento, disciplina, colapso e transformação. O primeiro é sobre a melhoria contínua das tendências e forças atuais, já o próximo é sobre as forças internas e externas que irão suavizar ou desacelerar a mudança. O terceiro é sobre como as ações, inações e contradições podem romper os sistemas e o último é sobre como os drivers e sinais criam novos valores radicais, mudam fundamentalmente os sistemas de maneira inesperados.

“Quando vamos fazer os cenários, uma dica interessante, é que cada um tem que ter um pouco de cada tipo de estórias para equilibrar. Forças diferentes moldam o futuro e, portanto, num cenário de transformação algo pode colapsar, ser disciplinado ou pode crescer. Mas, cada cenário tem que ser único para que se possa alimentar percepções diferentes e diversificar opções estratégicas. Os cenários devem mostrar realidades que não são como hoje”.

Astua destacou que cenários funcionam como mapas em que há rotas para navegar. “O futuro é uma escolha e não um desejo. O futuro pede concessões e compromissos. Temos que escolher num cenário preferido, mesmo sabendo que ele não é perfeito”.

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