Mês da Consciência Negra

Mesa temática apresenta boas práticas institucionais de combate ao racismo

11 de novembro de 2020 - 13:23
Tela do computador em que aparece os painelistas, a mediadora e a organizadora do evento no evento realizado de forma online
Mesa temática foi realizada de forma virtual

Reconhecer a existência do racismo, principalmente institucional e estrutural, compreender suas implicações e nuances e enfrentá-lo através de ações afirmativas visando uma mudança concreta da sociedade. Está foi a problemática trabalhada ontem (10/11) na mesa temática “Boas práticas institucionais de combate ao racismo, que integra a programação “Mês da Consciência Negra 2020 – edição Lanceiros Negros” da Justiça Federal do RS (JFRS).

A iniciativa foi elaborada pelo Grupo de Trabalho “Ações em Direitos Humanos, Raça e Diversidades” da instituição, criado nos termos do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Justiça Federal e diversos órgãos do sistema de justiça para criar uma rede colaborativa e realizar ações articuladas. Na tarde de ontem, os painelistas Gleidson Dias, assessor da Presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS), Victor de Carli Lopes, coordenador do Observatório de Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Maria, e Ana Lúcia Stumpf Gonzálz, procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho/RS compartilharam conhecimento, instigaram reflexões e apresentaram as práticas que suas instituições estão fazendo para enfrentar a problemática.

Tela do computador com a imagem do painelista Gleidson, homem negro
A mesa temática iniciou com as reflexões de Gleidson Dias

Em sua fala, Dias fez uma análise da forma como se deu a construção do Brasil baseada num colonialismo e escravagismo racialista. Nesta fase, os negros nem eram considerados como uma pessoa, inclusive. Posteriormente, teorias racistas vão justificar a concepção de inferioridade de negros. Ele ainda lembrou a política de branqueamento instituída no país, que se dava de diversas maneiras, como o estímulo para casamento entre negros e brancos para que os filhos resultantes da união tivessem a pele mais clara.

O assessor do TCE pontuou que a compreensão do racismo no Brasil foi muito demorada, já que havia uma negação da questão racial. Assim, a concretização de políticas afirmativas só começou a ocorrer a partir dos anos 2000. Ele destacou a importância de existir boas práticas antirracistas que permitam identificar onde esta problemática perpassa cada instituição, como, por exemplo, por que não existem pessoas negras em cargos de chefia ou como elas são tratadas, e agir para mudar esta situação.

Tela do computador com a imagem do painelista Victor Lopes, homem moreno claro
O próximo a apresentar suas reflexões foi Victor Lopes

Em seguida, o painelista Victor de Carli Lopes ressaltou que, para combater efetivamente o racismo, as pessoas precisam refletir sobre suas ações, e as instituições reconhecerem as estruturas discriminatórias para poder mudar essa realidade. Segundo ele, é necessário compreender como se reproduz internamente o racismo para poder combatê-lo.

Lopes apresentou as ações realizadas pela UFSM para discutir a temática da população negra, como eventos, projetos de extensão e capacitação para estudantes negros ingressarem na pós-graduação. Ele também mostrou iniciativas com potencial para serem replicadas em outras instituições, como o curso de combate ao racismo direcionado para servidores da universidade que serve para progressão na carreira.

Tela do computador com a imagem da painelista Ana Lúcia Gonzálz
A programação encerrou com a fala de Ana Lúcia Gonzálz

Encerrando o painel temática, Ana Lúcia Stumpf Gonzálz comentou sobre a forma de atuação do Ministério do Trabalho na identificação e combate de práticas discriminatórias no ambiente laboral. Também mencionou ações realizadas ou patrocinadas pelo órgão com objetivo de mudar a cultura do empresariado e da sociedade em geral.

De acordo com procuradora do Trabalho, hoje não é mais comum a discriminação direta, como justificar a não contratação pela cor da pele, mas acontece frequentemente a indireta, quando se coloca determinados requisitos para retirar a possibilidade da pessoa negra de concorrer a vaga, como a exigência por intercâmbio, por exemplo. Ela sublinhou que “todos nós precisamos defender ações afirmativas e não somente o movimento negro”.

Tela do computador com a imagem da mediadora Cláudia Dadico
A mediadora do evento foi a juíza federal Cláudia Maria Dadico

A programação do “Mês da Consciência Negra” ainda conta notícias produzidas pelo Memorial da JFRS, publicadas no Portal da Instituição ,  que relembram ações envolvendo questões raciais.

JFRS debate racismo estrutural no país e no sistema de justiça

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