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Operação Kollektor: testemunhas em ação envolvendo desvio de recursos na Ulbra começam a ser ouvidas hoje

29 de agosto de 2016 - 14:22

A 7ª Vara Federal de Porto Alegre (RS) inicia hoje (29/8) as audiências de instrução processual da ação penal que investiga suposto esquema envolvendo lavagem de capitais com objetivo desviar recursos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e de sua mantenedora, a Comunidade Evangélica Luterana São Paulo (Celsp). O processo é baseado no inquérito policial denominado Operação Kollektor.

Ao longo da tarde, o juiz federal Guilherme Beltrami ouvirá quatro testemunhas arroladas pela acusação. Amanhã, outras quatro pessoas serão questionadas pelo magistrado, pelo procurador federal e pelos advogados. As oitivas serão realizadas de forma presencial na sede da Justiça Federal do RS e por videoconferência com os municípios de São Leopoldo, Canoas (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

A acusação

Em novembro de 2015, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas acusadas de promoverem lavagem de capitais ao ocultarem e dissimularem a natureza, origem, disposição, movimentação e propriedade de bens e valores provenientes de crimes de fraude à execução, apropriação indébita, falsidade ideológica, estelionato e peculato. Entre os réus, estariam o ex-reitor da universidade e seus dois filhos.

Segundo o MPF, os indiciados com o auxílio de outras pessoas criaram empresas de ‘fachada’ que emitiam notas fiscais ‘frias’ por serviços fictícios com a finalidade de desviar recursos da Ulbra. Afirmou que, a partir dos valores obtidos nos crimes praticados, a organização criminosa promovia a lavagem de capitais com a aquisição de bens e depósito em nome de terceiros e a guarda de dinheiro em espécie. Os fatos teriam acontecido entre os anos de 2008 e 2009.

A denúncia contra todos os envolvidos foi recebida ainda em novembro de 2015. Os réus respondem por estelionato, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Audiências

As oito testemunhas indicadas pelo MPF devem ser ouvidas hoje e quinta-feira. Já as oitivas das 16 pessoas arroladas pela defesa serão realizadas nos dias 1º e 5/9. As audiências serão realizadas de forma presencial em Porto Alegre e também por videoconferência com os municípios gaúchos de Canoas, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa e São Leopoldo, além de Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), e Brasília (DF). Uma testemunha de defesa vai ser questionada no dia 1/12, mesma data do interrogatório dos réus.

Operação Kollektor

Deflagrada pela Polícia Federal e Receita Federal em 2009, a Operação Kollektor investigou, aproximadamente por um ano, um grupo suspeito de fraude em execução fiscal, desvios de recursos para empresas de fachada e prática de crime de lavagem de dinheiro dentro da Ulbra. Estima-se que o dinheiro desviado ultrapassaria a cifra de R$ 60 milhões. Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão que mobilizaram 127 policiais federais e 23 servidores da Receita Federal.

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