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Ponte do Guaíba: JFRS dá início a nova rodada de conciliação para desapropriações

6 de novembro de 2018 - 16:52
A Justiça Federal do RS (JFRS) deu início, na manhã de hoje (6/11), ao segundo mutirão de conciliação envolvendo as ações de desapropriação de imóveis na Ilha Grande dos Marinheiros para a construção da nova ponte do Rio Guaíba. Pela manhã, foram realizados 23 acordos de 26 processos pautados, outros três foram redesignados para uma nova data. As tratativas também estão sendo realizadas no período da tarde no auditório do prédio-sede da instituição em Porto Alegre. O evento faz parte da XIII Semana Nacional da Conciliação, que teve início ontem. O mutirão foi aberto pelo juiz federal Hermes Siedler da Conceição Júnior, da 26ª Vara Federal da capital, que conversou com os moradores a respeito das opções oferecidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para fechar o acordo. Dentre elas, o magistrado destacou a compra assistida, na qual o núcleo familiar de até cinco membros tem a oportunidade de indicar para a aquisição um imóvel de até R$ 152 mil. Caso a família seja maior, o valor limite passa para R$ 178 mil. Moradora da ilha desde que nasceu, a recicladora Mara Silva da Cruz (45 anos) veio para a audiência acompanhada das filhas Graziela (27 anos) e Gabriela (30 anos), que também moram na comunidade. Apesar de considerar atraente a proposta de compra assistida oferecida pelo Dnit, a moradora não escondeu o medo de ficar sem serviço no novo endereço. “Com esse valor [R$ 152 mil] dá pra comprar um imóvel muito bom. Mas se eu pudesse escolher, eu ficaria na ilha. Eu ainda não sei como vou fazer para conseguir trabalho depois que eu sair de onde moro”, pontuou. Assim como as filhas, ela já escolheu o imóvel no município vizinho de Eldorado do Sul para o qual pretende se mudar.

Tanto a mãe quanto as filhas são moradoras da Ilha desde que nasceram

Quem também trouxe o filho e a nora para participar da audiência foi o tropeiro aposentado Pedro Nunes (96 anos). Já sem muitas preocupações no que diz respeito a futuros empregos, o idoso relatou que pretende se mudar para o município de Guaíba, lugar do qual guarda as melhores lembranças da época em que trabalhava tocando o gado. “Eu me criei lá [em Guaíba]. Aquele monte de rios da região eu atravessa com mais de cem cabeças [de gado], quando não tinha nem ponte. Essa casa nova eu quero que seja boa para o meu filho, que mora comigo. O dia que eu não estiver mais aqui, vai ficar pra ele. Mas enquanto Deus quiser, eu vou aguentar firme e forte”, concluiu.

Idoso veio para a audiência acompanhado do filho Miguel e da nora Maria Carmelina

Na manhã de quarta-feira (7/11), outras 25 ações entrarão nas rodadas de negociações. As audiências são mediadas pelos juízes Hermes Siedler da Conceição Júnior e Ana Inès Algorta Latorre e contam com a participação de representantes do Dnit, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público Federal.

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