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Práticas Restaurativas e Sistêmicas marcam V Encontro De Conciliadores na JF de Novo Hamburgo

11 de julho de 2019 - 18:51

A Justiça Federal de Novo Hamburgo (RS) promoveu, na tarde desta quinta-feira (11/7), o seu V Encontro de Conciliadores e Mediadores. O evento aconteceu no auditório da Subseção, reunindo cerca de 120 pessoas, entre magistrados federais e estaduais, procuradores, servidores, conciliadores e advogados.

Na abertura do evento, a juíza federal Catarina Volkart Pinto, Coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscon) de Novo Hamburgo explicou que o surgimento de conflitos cada vez mais complexos no Judiciario tem exigido um novo olhar sobre a conciliação, sendo necessário buscar ferramentas que nos ajudem a aprimorar a forma de responder a essa complexidade conflitiva. Segundo a magistrada, as constelações sistêmicas oferecem ferramentas que podem auxiliar as partes a se colocarem num estado de disposição e de abertura. E quanto à Justiça Restaurativa, está em movimento um trabalho conjunto com a Justiça Estadual. “Nosso objetivo é ter espaços adequados e pessoal capacitado para essa mudança paradigma no Judiciário Federal”, complementou Catarina.

auditório lotado, palestrante fala ao microfone

A programação matinal iniciou com a apresentação “Procedimentos Restaurativos no Cejuscon”. O servidor Alfredo Füchs, do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscon) de NH, relatou a montagem do Núcleo de Práticas Restaurativas no Cejuscon de NH, e a experiência com os primeiros seis casos tratados sob esta abordagem, nas áreas criminal, habitacional, previdenciário, entre outras. “Estas práticas não repercutem necessariamente de maneira direta no resultado da ação, mas fazem grande diferença na vida das partes”, relatou.

Em seguida, teve início a palestra “Aplicação das Constelações na Justiça Federal”, com a palestrante convidada juíza federal Monique Marchioli, da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul. Monique apresentou a abordagem das constelações sistêmicas, traçando sua aplicabilidade na prática de conciliação.

De acordo com a palestrante, a aplicação das posturas sistêmicas traz um resultado positivo, e empodera as partes para resolverem seus conflitos. “O conciliador precisa estar atento para não tomar o conflito como se fosse seu, ficar na postura de mediador, sendo apenas um instrumento, pois o poder de conciliar é das partes”, explicou a magistrada.

A manhã encerrou com a apresentação a capella do Grupo Vocal Phoenix, de São Leopoldo. Sob a regência da conciliadora e maestrina Bárbara Körbes Hartmann, o repertório executado foi da música renascentista sacra até a MPB, passando por canções tradicionais da Itália e do Uruguai.

auditório lotado; participantes em duplas, em pé, ficam de frente um para o outro, orientados pela palestrante

À tarde, também aconteceu um momento de oficina, em que foram realizados diversos exercícios práticos, com a participação de todos os presentes. Monique destacou a importância da empatia e até mesmo da postura física. Ao final, relatou que os conciliadores participantes “mostraram serem abertos a mudanças que tragam contribuição para o Judiciário”.

Ainda no período da tarde, foi realizado o debate “Práticas Restaurativas e Sistêmicas”. Participaram as juízas federais Catarina Volkart Pinto (Coordenadora do Cejuscon de Novo Hamburgo – JFRS) como mediadora, e Monique Marchioli (Coordenadora Turmas Recursais – JFMS); das juízas de Direito Andréa Hoch Cenne (atuando no Juizado da Violência Doméstica e Coordenadora do Cejusc-NH) e Ângela Martini (atuando no Juizado da Infância e Juventude de NH); e da servidora Carla Grahl (mediadora e facilitadora de círculos de paz – JFRS). Dentro das práticas mencionadas, foram discutidos tópicos como autoconhecimento, acolhimento e empatia.

quatro mulheres sentadas em poltronas em semicírculo conversam em frente à platéia

Para a servidora Carla Grahl, é necessário parar de ver os conflitos humanos como uma coisa ruim, da qual temos que nos livrar o mais rápido possível. “O conflito pode ser uma coisa positiva, ele é um sinalizador de que as relações não estão bem”, afirmou, apontando que uma abordagem preventiva pode evitar situações de violência.

A juíza Andréa Cenne trouxe conceitos embasadores da Justiça Restaurativa, como a responsabilidade ativa, e a mudança do enfoque do agressor para a vítima. Ela defendeu também a importância de escutar a outra parte. “No momento em que ambas as partes se reconhecem como seres humanos, torna-se possível uma recomposição”, explicou.

Já segundo a juíza Ângela Martini, é importante que as partes e suas famílias possam se colocar não apenas no lugar do outro, mas também que possam compreender seu próprio lugar, seu papel. “Crianças e adolescentes não vão parar nos abrigos porque ‘aprontaram‘, mas sim porque não receberam a devida proteção e atenção por parte da família”, salientou a magistrada.

pessoas sentadas em pequenos grupos, em círculo, conversam

Ao final, foi realizada a prática “Vida de Facilitador”. Os participantes puderam discutir suas histórias profissionais em pequenos grupos, trocando ideias e experiências.

O encontro foi encerrado com mais uma dinâmica sistêmica, em que os participantes interagiram com a figura do Poder Judiciário, formando uma grande constelação de conciliadores.

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