Responsabilidade Social

Programa abre novas perspectivas para jovens aprendizes

16 de julho de 2021 - 18:34
selo portas futuro letreiro com porta colorida estilizada

“Trabalhar na Justiça Federal é a inspiração da minha vida, de toda minha carreira porque é o que quero ser. Quero ser o advogado, o juiz, o promotor. Quero ficar no Judiciário. É o que quero para minha vida”. A declaração do jovem aprendiz Marques apresenta os objetivos do Projeto Portas para o Futuro: oferecer um trabalho remunerado para adolescentes abrigados, incentivar o estudo e instigar o olhar para descobrir que há diversos caminhos possíveis para trilhar. Marques já escolheu o seu, começa em agosto o curso de Direito na Universidade Federal do RS (UFRGS).

Prestes a encerrar seu contrato com a Justiça Federal do RS (JFRS), o rapaz conta que iniciar no primeiro emprego foi motivo de temor, mas a acolhida recebida na subseção de Gravataí aliada a explicações pacienciosas sobre o trabalho sempre que necessárias, transformaram a experiência laboral em algo “incrível”. Entre uma atividade e outra, Marques foi conhecendo o dia a dia do Judiciário, mesmo atuando na área administrativa, e as pessoas que ali trabalhavam.

A dedicação e carisma de Marques encantaram servidoras, servidores, juízas e juízes de Gravataí que, ao descobrirem a vontade dele em cursar uma faculdade, mobilizaram esforços para custear um curso pré-vestibular para ele. “Todo mundo foi se envolvendo e abraçando ele”, fala o supervisor do jovem, o servidor Luis Roberto da Silva. O rapaz estava com dificuldades de encontrar um cursinho gratuito, já que não queria utilizar a parte guardada do pagamento recebido no programa Jovem Aprendiz por saber que ao completar 18 anos teria que sair do abrigo.

“Estava fazendo meu trabalho um dia, entregando os malotes quando o meu supervisor me chamou contando que o pessoal da Justiça se uniu para pagar um cursinho para mim. Eu fique muito feliz, chorei, fiquei muito emocionado”. Segundo ele, quando começou a trabalhar na JFRS, estava no final do segundo ano do ensino médio e não sabia qual curso superior escolher, mas ao assistir uma série focada na atuação de uma advogada criminalista associado ao trabalho na Justiça, fizeram ele se apaixonar pelo Direito.

Os estudos exigiram do jovem aprendiz. “De manhã, ia para escola. De tarde, para Justiça Federal. De noite, tinha o cursinho e chegava em casa morto. O curso começou a ser EAD, eu não tinha internet. Era só perrengue, mas o que me salvou foram os livros do cursinho, já que não conseguia fazer muitos simulados online”. Quando a pandemia chegou e o trabalho na JFRS passou a ser remoto, Marques pode dedicar mais tempo para estudar. O resultado veio com a aprovação para cursar Direito na UFRGS.

“Tenho consciência que, para mim, é uma mudança de vida. Na minha família inteira, ninguém cursou o superior. Estou muito feliz”. Já com 18 anos, Marques saiu do abrigo, mora com o namorado e tem internet em casa. Para continuar a ajudá-lo a ter condições necessárias para a nova fase, novamente juízas, juízes, servidoras e servidores uniram-se para dar um notebook para ele estudar, já que as aulas estão online ainda.

Esforçado e já sabendo a data de encerramento do contrato com a JFRS, ele conta que vai começar a enviar currículos e começou a estudar para concursos públicos após assistir um dos encontros virtuais do #TamoJunto, atividade integrante do projeto que trabalha, toda semana, temas de interesse dos jovens.

“A justiça federal é uma porta que abriu meus olhos”. Como um bom garoto, ele entende tudo o que recebeu como uma oportunidade e pretende retribuir ajudando alguém futuramente.

Trabalho em equipe

Para a história de Marques se repetir com outros jovens, a equipe do projeto Portas para o Futuro (saiba mais do projeto nos links no final da matéria) procura atuar em conjunto com os supervisores dos jovens para alinhar suas atuações. Na reunião realizada no mês passado, procurou-se levantar a situação de cada participante, já que eles têm vidas muito diferentes. Alguns moram nos abrigos; outros, já saíram porque completaram 18 anos; alguns estão fazendo experiência para retornar a família de origem, e outros foram adotados. Atualmente, há 13 vagas para jovem aprendiz em Porto Alegre e outras 22, no interior.

Outro objetivo do encontro foi identificar as principais dificuldades que os supervisores estão encontrando neste momento de trabalho remoto e as possibilidades de soluções. Uma das dificuldades apontadas pelos supervisores é a questão dos acessos, já que, embora todos os abrigos disponham de computadores, em muitos casos, é um equipamento para ser utilizado por todas as crianças e adolescentes do local.

Em função disso, os integrantes do projeto Portas para o Futuro tiveram a ideia de que as pessoas que tenham notebooks para doação entrem em contato com o Núcleo de Acompanhamento e Desenvolvimento Humano da instituição através do telefone (51) 3214-2055 (ligações e WhatsApp). Conhecendo a realidade de cada jovem, o núcleo vai fazer a intermediação para destinação do equipamento.

#TamoJunto

O contexto de pandemia e trabalho remoto somado à realidade diversificada de cada jovem, motivou a equipe do Portas para o Futuro a pensar em uma atividade para manter a vinculação dos adolescentes com a Justiça Federal. Assim, surgiu o #TamoJunto, encontros virtuais realizados todas as quartas-feiras em que são  trabalhados assuntos diversos com os jovens. Alguns solicitados por eles, outros escolhidos pela equipe.

Já foram discutidos o trabalho da Justiça Federal, seus sistemas, processo eletrônico e físico, redação de ofícios. Também foi conversado sobre como economizar dinheiro, saúde reprodutiva, feminismo, cidadania e voto, direitos das pessoas LGBTQIA+, antirracismo, mídia e opinião pública, Enem. Algumas pessoas também falaram sobre suas profissões (historiador, arquiteto, defensor público, jornalista, etc.).

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